Juan Carlos Díaz Lorenzo

La noticia del final de la línea Canarias-Madeira-Portimao de Naviera Armas ha puesto en pie de guerra a muchos madeirenses, petrificados ante el aislamiento que se les avecina de nuevo con el continente. Es una mala noticia para Canarias, para Madeira y para Portugal. Y lo decimos así de claro. Desde junio de 2008 la naviera canaria ha hecho posible una de las aspiraciones más sentidas del pueblo madeirense y también ha posibilitado el enlace entre Canarias y Madeira y viceversa, lo que ha generado beneficios indudables.

Lo cierto es que esta línea ha sufrido el boicot de algunos sectores portugueses, que han visto con recelo la presencia de Naviera Armas y su crecimiento, pues el servicio, atendido preferentemente por el buque “Volcán de Tijarafe”, iba a mejorar en prestaciones y capacidad con la incorporación del buque “Volcán de Tinamar”, gemelo del “Volcán del Teide” –cuya madrina fue la esposa del presidente de la Comunidad Autónoma de Madeira- y construido pensado en dicha línea.

La línea ha ganado el favor de los madeirenses, pues no sólo posibilita la comunicación marítima con el continente, sino que ha tenido beneficios tangibles para la sociedad insular, como el abaratamiento de la cesta de la compra, ya que Naviera Armas ha aplicado tarifas más asequibles a los transportistas y, sobre todo, posibilita la carga rodada, de la que carecía desde hacía 25 años.

Y es que, por sorprendente que parezca, hasta entonces no existía línea de carga rodada entre Portugal y Madeira, sino carga general en contenedores que operan compañías portuguesas en el puerto de Caniçal. Y eso que la población de Madeira –una isla un poco más grande que La Palma- es de unas 240.000 personas.

Lo cierto es que por una suma de razones –el precio del combustible, los coeficientes de ocupación, los ingresos medios y los impedimentos cada vez mayores por parte de algunos sectores oficiales y oficiosos de Madeira- la línea de Naviera Armas parece abocada a su final, si es que mañana no suena la campana de última hora, pendiente de una reunión con representantes del Gobierno autónomo de dicho archipiélago.

Naviera Armas presta un servicio digno a Madeira y Portugal

Las redes sociales están jugando un papel determinante en este asunto. Hasta el punto de que un grupo de defensores han abierto una página titulada “Vamos encher a Pontinha para uma grande despedida. Da Naviera Armas”. Leemos algunos comentarios en facebook, que no traducimos por su fácil comprensión:

Paulo Farinha: “Quem se opor ou dificultar este excelente meio de transporte para os arquipélagos portugueses, não é bom português, que potencia o egoísmo, tacanhez, anti patriotismo, e anti autonomias regionais e que só defende os interesses pessoais. Proponho, para quem poder comprar buzinas e apitar junto ao ferry”.

Joao Marcelino: “Fiquei muito triste com esta notícia! É lamentável que em Portugal os nossos governantes não tenham sensibilidade nem sentido de oportunidade!!… Obrigado pela excelente prestação, Naviera Armas!

Kristina Figueira: “A Madeira vai ficar isolada e os emigrantes que utilizavam o armas para irem passar ferias como vao fazer… ja nao podemos levar o karro e vamos pagar balurdios de passagem de aviao… lamento a vossa decisao mas também entendo muito aguentarem… por isso apelo aos madeirense k no proximo sabado deem uma grande salva d palmas ou buzinei d forma agradecer pelo bom servico k armas sempre vez… obrigada pelo karinho k sempre tiveram kom voxos clientes…”.

Joao Manuel Vieira Barradas: “Esta terra e mesmo uma quinta para alguns, e os nossos governantes ficam calados como carneiros e quem se lixa somos nos”.

Ray Dos Santos: “Madeira toda junta na pontinha, nao podemos deixar que isto aconteça, ficaremos outra vez isolados”.

Nuno Nobrega: “Mais uma vês ficamos a perder.precisamos de 1 revolução urgente!!!não mais a mamisse descarada neste arquipelago,onde só meia duzia têm direito a vida.as vezes tenho vergonha de ser português e madeirense…”.

José Miguel: “Só não vou porque não estarei na ilha, caso contrário estaria lá concerteza. Fica o meu apoio e o meu contributo na divulgação pelo Facebook. Mas, tenho de confessar: ficarei surpreso se, pela primeira vez na minha vida adulta, vir uma manifestação digna desse nome na Madeira. Existe um clima, que parte do governo, mas também aceite e fomentado pela população de verdadeira censura política. É como se o 25 de Abril nunca tivesse acontecido – a esquerda é inclusivamente olhada tal e qual como nos tempos do estado novo – diabolizada, envergonhada… estranho. Todos falam nos cafés, na tasca, no facebook… niguém se expõe, ninguém avança, todos optam pela sombra. Isso, TÊM de mudar”.

Luis Miguel: “Agora é k os mamões vão mamar ainda mais…!

M. Paz Silva: “Quero acreditar…que isto não passa de um mal entendido….todos perdemos e muito”.

Luis Oliveira: “Acabei de ouvir no TeleJardim que a Naviera Armas irá abandonar a linha da Madeira para Canárias e Portimão a partir de sábado/segunda. Penso que Todos os madeirenses deveriam tomar alguma posição. Estou disposto para ir à Pontinha no sábado de manhã ou na segunda à tarde para demonstrar a minha indignação aos Sousas e solidariedade ao armador, supostamente boicotado. Digam qualquer coisa. A Sra. Secretária do Turismo e Transportes, não sabia de nada, coitada. Estamos lixados com governantes destes, é o que é. Por favor, não abandonem a linha da Madeira! Não se rendam á máfia!!! O povo da Madeira está convosco!!!

María Freitas: “E o Diario de Noticias tem o descaramento de dizer que eles se vão embora por causa da crise. Só quem não seguiu a sua perseguição desde o principio acredita nisto. O Diário de Noticias contribui muito para este desfecho.

Noemia Gonçalves: “Durante os anos em que operou, vimos camiões a chegar e a partir com mercadorias para as empresas que diariamente abrem portas ao comércio na Madeira. Ouvimos os elogios dos empresários que agora era mais fácil e barato trazer “verdes” e “peixe” para a RAM. Tivemos testemunhos visuais das auto caravanas que pela primeira vez visitaram a ilha. Ouvimos relatos de quem foi com o seu carro fazer a visita que nunca tinha feito ao continente português…. relatos e histórias que agora ficam, espero eu, em stand-by….. Até já Armas… acredito que em breve regressas ao porto do Funchal!”.

Foto: Juan Carlos Díaz Lorenzo

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